segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Livro Força da minha vida

Tributo à Esperança


Ronaldo A. Silva


               Havia certa vez num reino muito distante, um rei vivendo um momento de grande aflição. Inimigos poderosos e cruéis queriam destruir o seu reino e tirar-lhe a vida. Seguindo o conselho dos seus ministros, apelou para a ajuda de três valentes guerreiros que, segundo afirmavam, eram invencíveis. Não havia batalha, grande ou pequena que eles não pudessem vencer.

O primeiro era o AMOR. Persuasivo, paciente, cheio de resignação. Incontáveis vezes ele fazia o mal bater em retirada devido às suas estratégias vencedoras que dispensavam o confronto direto com os seus inimigos. A FÉ, por sua vez, era uma guerreira bem diferente. Adorava os desafios, e gabava-se de grandes feitos, coisas que aos olhos dos incrédulos pareciam impossíveis. O terceiro guerreiro, ou melhor, uma guerreira, era a ESPERANÇA. Com sua aparência serena, postura firme, vinha sempre na retaguarda, dando apoio indispensável às suas companheiras. Não tinha muito do que se orgulhar, mas nas grandes batalhas invariavelmente era ela quem se saía melhor e menos arranhada.

Havia nessa história, um quarto personagem chamado MILAGRE. Um antigo sábio que costumava viver ao lado do rei, mas que fora injustamente desprezado e esquecido por ele. A estas alturas, nem mesmo o rei sabia do seu paradeiro. Informados sobre isso, os guerreiros tinham como missão encontrar MILAGRE que lhes forneceria a estratégia para vencer a batalha. O que os guerreiros não sabiam é que por causa da IGNORÂNCIA, amiga do rei, MILAGRE encontrava-se aprisionado em um lugar desconhecido, e provavelmente nunca mais seria encontrado. Talvez estivesse até morto. Estarrecidos, em breve eles descobririam isso.

Os três apresentaram-se ao rei.

              No dia da batalha, exércitos formidáveis, vindos dos quatro cantos da terra devastavam o pequeno reino, sitiando os muros que o rodeavam. ANGÚSTIA, PAVOR e MEDO vieram tomar conta do rei. E junto com eles veio também a DÚVIDA. Disfarçada de PRUDÊNCIA, o rei não pôde discernir ao certo de que lado ela estava. Até descobrir mais tarde, que se tratava de uma bruxa traiçoeira, da qual devia ter se livrado o quanto antes.

Lá fora, defendendo os muros da fortaleza, os fiéis guerreiros desprezavam a aparência assustadora dos seus inimigos. No início da peleja, o rei apenas observava pela janela do seu palácio. Esforçava-se ele desesperadamente para acreditar que a batalha teria um final feliz.

Infelizmente, para o espanto do rei, algo terrível começou a acontecer. A estratégia montada pelo guerreiro AMOR mostrou-se deficiente. Então, num dado momento, três sujeitos de aparência tenebrosa o cercaram. Eram eles: ÓDIO, CRUELDADE e INGRATIDÃO. Tendo recebido vários golpes, sucessivos e mortais, AMOR sentiu o seu coração esfriar. E havendo sido mortalmente ferido, agonizava, enquanto se perguntava onde foi que ele havia errado! Sem forças para se manter em pé, até ao fim da peleja, o AMOR tombou, deixando atônitas as suas duas companheiras, que nada puderam fazer.

Então a FÉ encheu-se de furor. E com maior ímpeto investiu contra as forças inimigas, neutralizando seus ataques. Assim conseguiu retardar por algum tempo o avanço dos invasores. No entanto, recrudesceu o combate. E de repente, surgiram diante dos seus olhos duas estranhas criaturas: ICREDULIDADE e DÚVIDA. Aquela que havia estado junto ao rei. Por não terem a aparência assustadora dos outros oponentes, a FÉ desdenhou delas. A princípio elas lhe deram pequenos e sucessivos golpes. E depois, maiores e mais fortes. Então a FÉ viu-se cada vez mais debilitada. Disso aproveitaram-se os inimigos para se lançarem sobre ela sem dó nem piedade. Atingida por um golpe traiçoeiro da DÚVIDA, a FÉ não teve como resistir. E o inimigo, tirando-lhe a armadura em que confiava, alvejou o seu peito com um golpe cruel e certeiro tirando-lhe a vida. Tratada de modo cruel, seus inimigos a lançaram morta, nas águas de um profundo poço que havia no centro da cidade.

 ESPERANÇA se viu só, mas continuou lutando. Vendo que suas companheiras caíram em combate, ESPERANÇA lembrou-se de MILAGRE. E insistentemente se dirigiu ao rei procurando saber onde MILAGRE estava aprisionado, para que pudessem libertá-lo. Infelizmente o rei não sabia. Determinada a encontrar MILAGRE a qualquer custo, ela lutou com maior vigor, contra todos os inimigos à sua volta. E sua determinação e perseverança eram a fonte da sua força. Ao perceber o tempo se esgotando, porém, ela chegou à conclusão de que já não poderia mais encontrar MILAGRE. De repente os muros em volta de ESPERANÇA começaram a ruir. O mais terrível e mortal dos inimigos, DESESPERO, rompeu os muros, agigantou-se assustadoramente e entrou em ação trazendo devastadora destruição sobre a fortaleza real e os seus moradores. Logo surgiu o PÂNICO que tratou de afugentar as tropas do rei até que ele ficou completamente só. Diante da figura assustadora do PÂNICO, o rei decidiu fugir. ESPERANÇA, no entanto, permaneceu lutando, dando ao rei alguns minutos de vantagem sobre os seus perseguidores.

Infelizmente, vendo ESPERANÇA que sozinha haveria poucas chances de salvar o reino da derrota, virou o seu veloz cavalo em direção às planícies e saiu em disparada, para tentar salvar a vida do desfortunado rei.

 Ao perceber isso, DESESPERO saiu no seu encalço. Ao olhar para trás, o rei via horrorizado a ESPERANÇA que, com sinais de cansaço, ia ficando para trás cada vez mais. Enquanto isso, o rei em sua fuga desesperada, não tinha a menor ideia da direção que estava tomando.


Porém, ao chegar às margens do despenhadeiro do DESTINO, de onde não podia mais voltar, o rei olha para trás uma última vez. E espera ansiosamente que a ESPERANÇA consiga vencer seus perseguidores. Porque se ela morrer, ele também morrerá. Enquanto aguardava o desfecho da situação, o rei ergueu as suas mãos aos céus, em gratidão pela força que lhe dava ESPERANÇA, qualquer que fosse o seu destino. Pois numa trágica história onde inimigos mortais se mostraram mais fortes do que as maiores virtudes, a ESPERANÇA lançou mão de uma estratégia de grande valor. Fugir para preservar sua vida. Portanto, quando tiverem que perecer todas as virtudes, ESPERANÇA será a última a morrer...


quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Não basta andar nu, tem que escandalizar!


O mês passado uma moça, com problemas mentais, segundo seus familiares, foi detida pela polícia de Israel por andar nua próximo ao muro das lamentações em Jerusalém. 


Isso me fez lembrar da passagem de Isaías citada acima. Não por causa desta pobre moça. Mas por causa do costume adotado por PECADORES EXIBICIONISTAS. Muitos estão com a consciência tão embotada e cauterizada pelo pecado, que já não sentem vergonha nem constrangimento algum de mostrarem o quanto são LEVIANOS! Eles não se contentam mais apenas em praticar coisas vergonhosas, constrangedoras para aqueles que não aprovam suas atitudes! Parece haver uma necessidade de PUBLICAR, de mostrar para todo mundo o quanto são desprezíveis. Hoje em dia, um bandido assalta um banco e depois expõe tudo no Facebook. Outro adota uma vida vergonhosamente promíscua e mostra para todo mundo o quanto sente ORGULHO disso! Muitos crentes estão na mesma linha. Parece que só eles não percebem o papel ridículo que estão fazendo com a religião que professam ter. Retardados mentais ou não, eles colherão os amargos frutos dos seus pecados. Pior ainda, sua mancha, deixada à mostra, como se fossem suas próprias nádegas de fora, não poderá ser apagada. Pois já foi registrada e ganhou o mundo inteiro, e amanhã servirá de incontestável prova da sua horrível insensatez!



Ronaldo Silva

sábado, 22 de julho de 2017

O Cavalo Branco do Apocalipse

Autor: Ronaldo A. Silva
                                
Desde a minha mocidade eu estudo a Bíblia Sagrada. Aprendi desde cedo que a Palavra de Deus não é de particular interpretação. Por isso sempre tive muito cuidado quando nos meus estudos eu encontrava elementos novos e esclarecedores sobre certas passagens bíblicas, cuja interpretação já era largamente aceita. Eu sabia que por mais reveladora que fosse minha descoberta ela teria obrigatoriamente que ser defendida ou pelo menos aceita por um determinado número de intérpretes da Bíblia. Mas aprendi também, que certas interpretações são acolhidas pelo público sem nenhum critério. Na verdade muitas heresias permanecem inalteradas até hoje pelo simples fato de sua interpretação agradar aqueles que a recebem como verdadeiras. Pode ser também que isso aconteça por que a maioria das pessoas não quer se dar o trabalho de examinar as Escrituras para tirar suas próprias conclusões, ainda que seja apenas por pura curiosidade.

Mas houve momentos que me senti muito indignado com certos comentaristas que, mesmo diante de passagens de difícil interpretação, insistiam em fazer suas afirmações como sendo absolutamente certas, sem nenhuma possibilidade de haver uma interpretação diferente. Isso é muitas vezes produto da soberba que acaba os deixando cegos para detalhes muito simples. Alguns violam os mesmos princípios de interpretação que defendem, apenas para mostrarem “que sabem o que estão dizendo”.
Hoje, por exemplo, grandes Bíblias de Estudo, comentadas por homens conhecidos no mundo todo, contém em seus comentários interpretações absurdas, que só podem ser aceitas por pessoas muito ignorantes quanto ao conhecimento bíblico.

Tomemos por exemplo, a interpretação que se dá aos famosos quatro cavaleiros do Apocalipse.

Não há dúvidas quanto aos três últimos cavaleiros, cuja descrição é feita com raríssimos detalhes. Os escritores bíblicos parecem não estar muito preocupados em fornecer detalhes nos seus escritos. Isso é notório principalmente nas profecias. Os ensinos de Jesus feitos extensamente em parábolas é outra prova disso. Eles relatam as coisas mais relevantes deixando os detalhes para aqueles que se interessarem de fato pelo assunto. E isso é o que um bom estudante da Bíblia deve fazer.

Pois bem. O cavalo vermelho e o seu cavaleiro representam a guerra. O cavalo preto e o seu cavaleiro representam a fome e a escassez de alimento. O cavalo amarelo representa a morte. E atrás de todos eles vai o inferno, recolhendo aqueles que vão sendo mortos pela guerra, pela fome e pelas doenças, pragas, etc.

Perceba que, guerra, fome, peste, e até o inferno, são “coisas” personificadas. Não são pessoas. E por que cargas d`água, a maiorias dos comentaristas adotam a interpretação de que o cavalo branco com o seu cavaleiro representam “o anticristo”? Ora, o anticristo segundo a Bíblia é uma pessoa, um homem e não uma “coisa” um “evento”! Só este fato seria o suficiente para desmontar esta débil afirmação.

Esta afirmação se torna ainda mais grave por tornar os elementos reconhecidamente “bons” em elementos “maus”. O branco, definitivamente, é representado na Bíblia, em toda e qualquer parte, como símbolo de santidade, paz e pureza. Descrever o branco desta passagem como “falsa paz” é simplesmente ridículo! A não ser que fosse um “branco encardido”. Não existe “falsa paz”. Ou existe paz ou existe guerra. A paz é paz, ainda que frágil ou passageira mais ainda assim é paz. Julgar a cor branca deste cavalo como algo mau, seria o mesmo que transformar o fermento mau, numa coisa boa! Um absurdo! Uma vez que o fermento na Bíblia simboliza corrupção em qualquer lugar onde seja mencionado. E isso faz parte das regras de interpretação.

Outra coisa extremamente grave é atribuir ao anticristo a frase: “saiu vitorioso e para vencer”! Ora, como a Bíblia afirmaria uma coisa dessas? Como poderia o anticristo sair desde o inicio da sua cavalgada “vitorioso” e destinado a ser vencedor? Como é possível afirmar uma tolice dessas? 

Se considerarmos que antes disso, João chorava diante do séquito celestial, repleto de anjos, serafins e querubins, por não haver nem no céu, nem na terra, nem em lugar nenhum, ninguém que fosse digno de abrir o livro e desatar os seus selos, veremos por que somente Cristo poderia ter aberto aquele livro!  

E disse-me um dos anciãos: Não chores; eis aqui o Leão da tribo de Judá, a raiz de David, que venceu, para abrir o livro e desatar os seus sete selos. Apocalipse 5.5.

A razão era muito simples: é que somente ele era o VENCEDOR. Vencedor por antecipação. No Céu estava o Cordeiro de Deus, que venceu a morte, venceu o inferno, venceu o pecado, e agora se achava na condição de ser COROADO. Porém, como a batalha ainda não havia terminado para o seu povo e sua Igreja, ele ainda sairia à guerra, não por si mesmo, mas pela sua Igreja e pela completa aniquilação dos seus inimigos. E por isso saiu vencendo, destinado a vencer, por que é um VENCEDOR!

E, HAVENDO o Cordeiro aberto um dos selos, olhei, e ouvi um dos quatro animais, que dizia como em voz de trovão: Vem, e vê. 


E olhei, e eis um cavalo branco e o que estava assentado sobre ele tinha um arco; e foi-lhe dada uma coroa, e saiu vitorioso, e para vencer. (Apocalipse 6.1,2.)



No Capítulo 19 do mesmo livro, é feita uma descrição mais detalhada deste cavaleiro Celestial em seu cavalo branco. 

E vi o céu aberto, e eis um cavalo branco; e o que estava assentado sobre ele chama-se Fiel e Verdadeiro; e julga e peleja com justiça. 
E os seus olhos eram como chama de fogo; e sobre a sua cabeça havia muitos diademas; e tinha um nome escrito, que ninguém sabia senão ele mesmo. 
E estava vestido de uma veste salpicada de sangue; e o nome pelo qual se chama é a Palavra de Deus. 

E seguiam-no os exércitos no céu em cavalos brancos, e vestes de linho fino, branco e puro. (Apocalipse 19.11-14).

Ele se chama Fiel e Verdadeiro. Ele é o Rei dos reis e Senhor dos senhores. E o nome pelo qual se chama é a Palavra de Deus. Portanto, Jesus Cristo é o Verbo de Deus. Ele é de fato a “personificação” da Palavra de Deus. E nesta condição Ele é apresentado saindo à frente dos demais cavaleiros.

Imagine agora, todo o Céu em profundo suspense, para ver quem teria o direito de revelar os segredos mais profundos de Deus, com respeito ao fim de todas as coisas, mas ninguém é achado digno. Então, quando Cristo se apresenta como “Aquele que VENCEU para abrir o livro”, acontece a coisa mais inusitada possível. Quando Ele abre o PRIMEIRO selo, quem vem lá? O “belo”, “a belezura” que não tem nada a ver com o que está sendo revelado naquele momento, o anticristo! Quanta incoerência!

Ora, tanta incoerência não faz nenhum sentido. Se Jesus Cristo é o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último, como poderia esse impostor chamado anticristo, receber uma coroa, montar um cavalo branco e sair vitorioso, como se tivesse obtido a vitória em alguma coisa ANTES; e não sendo isso o bastante, saísse na frente para vencer!? 


Se a visão fala de “coisas”, “fatos”, e “eventos”, que estes cavalos com seus respectivos cavaleiros vão protagonizar na terra, é óbvio que o cavalo que sai na frente é A PALAVRA DE DEUS! É a CONQUISTA protagonizada pelo Evangelho de Jesus Cristo, que continuará sendo pregado até o fim. É a personificação de um REINADO VITORIOSO, conquistado por Jesus Cristo sobre as forças do mundo e do inferno. A Palavra de Deus como uma flecha já foi lançada.

Compare com as seguintes informações. Antes de vir o Dilúvio, Noé pregou por cerca de 120 anos. Antes de Israel ser levado em cativeiro, os profetas de Deus foram enviados sistematicamente até não haver mais o que fazer. No sermão profético, em meio à fome, peste, guerras e terremotos, o Evangelho estará sendo pregado em todo o mundo em testemunho a todas as gentes até que chegue o fim. Portanto, antes dos juízos de Deus, vem a sua Palavra Profética para livrar os homens dos castigos que serão derramados sobre eles.

Portanto, apesar da amedrontadora visão proporcionada pela missão dos cavaleiros do apocalipse, resta-nos o conforto de que Deus nunca nos deixa só. Mesmo no meio de um mundo corrupto e perigoso, Deus está presente através da sua Palavra, poderoso para salvar e libertar das garras do inimigo, que será vencido para sempre!

Ev. Ronaldo Silva. Escritor e autor do livro: A Eficácia de Satanás.
22 de julho de 2017.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

O MUNDANISMO e o aviltamento da religião...





“Eis que venho como vem o assaltante. 

Bem-aventurado todo aquele que se mantém alerta e conserva suas vestes preparadas, pois assim não terá de correr nu e ter sua vergonha exposta ao público”. 
Apocalipse 16.16


Bíblia King James Atualizada

sábado, 25 de abril de 2015

Noé, Liderança e Fé!

 Por: Ev. Ronaldo Silva

Hebreus 11.7 “Pela fé Noé, divinamente avisado das coisas que ainda não se viam, temeu e, para salvação da sua família, preparou a arca, pela qual condenou o mundo, e foi feito herdeiro da justiça que é segundo a fé”.

                            Sempre que alguém fala na igreja, sobre algum assunto envolvendo a família, lembro-me de Noé. Embora estejamos acostumados a ver Noé como tema de historinha para crianças contada com muitas ilustrações, cantorias e representações, ele é, de fato, um extraordinário exemplo de liderança no seio da família, em todos os sentidos. Fico imaginando como é que ele conseguiu manter sua família unida em torno de um gigantesco projeto, onde a fé era o elemento fundamental, e ao mesmo tempo, com muita determinação e firmeza, mantê-la longe da corrupção moral, num mundo onde 100% das pessoas eram totalmente ímpias e alienadas de Deus!

Certamente Noé não era daqueles que transigem com o erro. Que abrem brechas para que seus filhos se percam pelo mundo; que perdem a visão de liderança familiar deixando-se levar pelas correntezas do mundanismo que arrasta as pessoas para longe de Deus e da salvação. Não. Noé andava com Deus e isso fez toda a diferença.

Acompanhe-me na análise bíblica destes aspectos da vida de Noé: liderança e fé, tomando por base este interessante versículo de Hebreus, onde podemos obter de cada frase, grandes ensinamentos.

I - AVISADO POR DEUS
“Pela fé Noé, divinamente avisado das coisas que ainda não se viam...”

Se Noé foi avisado divinamente pela fé, fico me perguntando, quais os meios que Deus teria usado para falar estas coisas para ele? A verdade é que ele andava com Deus. Conforme a Bíblia, ele era homem justo e perfeito “em suas gerações”. Isto é, no seu tempo. No tempo em que o mundo estava condenado por Deus à destruição. Foi assim que ele achou graça aos olhos do Senhor. O fato de andar com Deus é que proporcionou a ele a condição de ser divinamente avisado das coisas que estavam para acontecer. Pode ser que Deus tenha falado por sonhos, ou através de uma visão ou outro meio qualquer. A verdade é que ele ficou ciente da situação do mundo perante Deus e agora não poderia mais ficar indiferente.

Noé, na condição privilegiada de ser avisado por Deus, por causa da sua comunhão com Ele, não guardou isso só para si. Ele ganhou na História o honroso título de “pregoeiro (pregador) da justiça”. Durante os anos em que construía a Arca, ele se empenhava em pregar a respeito da destruição do mundo pelas águas do Dilúvio. Assim, todos os homens ímpios do seu tempo foram avisados. Pereceram, mas não sem antes serem advertidos do destino que os aguardava.

Assim também nós, que esperamos a vinda de Cristo, estamos devidamente AVISADOS do fim do mundo e das coisas que nele existem. Ficar indiferente a isso é escolher perecer junto com o mundo. (leia II Pedro, 3.1-14.)

II – NOÉ TEMEU

O que Noé temeu? Ele temeu a Deus; temeu pela sua vida e pela vida da sua esposa e dos seus filhos; temeu ao tomar conhecimento da destruição que sobreviria ao mundo.

O temor é a melhor coisa que existe numa pessoa que leva Deus a sério. Ser temente a Deus é sinônimo de fidelidade e não existe fidelidade se não existir temor. Aliás, quando os anjos chegaram à casa de Ló para o tirarem de Sodoma, seus futuros genros o tiveram por zombador. Isto é, levaram na brincadeira a notícia de que aqueles varões estavam ali para destruírem a cidade. Esta atitude irreverente os condenou ao inferno de fogo e enxofre que choveu sobre aquela cidade, fazendo-os perder para sempre a única e possível oportunidade de se salvarem, dando ouvidos à voz dos mensageiros de Deus. Atitude bem diferente de Noé, que temeu e provavelmente correu imediatamente para comunicar à sua família as coisas que estavam para acontecer.

Assim como os genros de Ló, muitos hoje estão zombando dos seus pais, dos seus mestres, dos profetas de Deus que anunciam o fim do mundo. Antigamente o simples fato de olhar para uma pintura de um quadro de parede, como aquele, muito conhecido, “os dois caminhos”, já era o suficiente para despertar temor no coração de quem o via. Hoje em dia, nem os sinais assombrosos, nem as notícias mais perturbadoras, nem o cumprimento de várias profecias, consegue despertar temor no coração dos rebeldes!

III - PARA SALVAR SUA FAMÍLIA DA MORTE
“e, para salvação da sua família...”

A partir deste ponto, podemos analisar o que significava sua liderança no lar. Podemos ver também que tudo o que Noé queria, pensava e fazia, era para escapar da condenação daquele mundo. Nós não estamos imaginando ou inventando coisas! Segundo as palavras do versículo em apreço, é possível deduzir que ele construiu a Arca, pensando na segurança, futuro ou destino da sua família. Noé mostra sua liderança familiar ao comunicar à sua mulher e seus filhos, as coisas que ouviu de Deus. Não cabe aqui nenhuma discussão a respeito da reação dos seus familiares diante desta revelação divina, comunicada inicialmente a ele. A verdade é que ele conseguiu unir toda a sua família em torno daquele estranho e gigantesco projeto.

E mais. Embora o mundo habitado daquela época fosse muito menor do que o que conhecemos hoje, imagine o tamanho da população de ímpios que existia – era o ano 1656 desde a criação de Adão – e com a qual Noé tinha que confrontar sua fé. Era um mundo totalmente ímpio, violento, corrupto, depravado e extremamente perigoso. Você já se perguntou como Noé sozinho conseguiu manter sua família longe de toda aquela corrupção? Onde estavam os outros parentes dele? Sua mãe, seu pai, seus tios, seus irmãos, seus cunhados ou mesmo os parentes de suas noras? À exemplo de Ló e sua família vivendo em Sodoma, não havia ninguém, além das pessoas que estavam sob o seu comando, com os quais ele pudesse contar.

Sua liderança no seio da família é um extraordinário exemplo, que devemos seguir nos nossos dias. Ele não tinha condições de fazer o mesmo que fazemos hoje: compartilhamos nossa fé com milhares de irmãos espalhados pelo mundo todo, com parentes e amigos crentes e um grande número de igrejas em volta das nossas casas. E apesar disso, muitos pais cristãos perdem seus filhos para o mundo, e por quê?

IV - PREPAROU A ARCA SEGUNDO A ORIENTAÇÃO DIVINA

Durante cerca de 100 anos, ou um pouco menos que isso, Noé trabalhou na construção da Arca, conforme o modelo e as medidas que Deus lhe forneceu. Não faz sentido pensarmos em Noé, naquelas circunstâncias, fazendo ou planejando qualquer outra coisa na vida, a não ser a conclusão imediata daquela embarcação, para cumprir o propósito de Deus. Ora, uma pessoa sensata que sabe que o mundo em que está vivendo está condenado, faria algum plano para continuar vivendo confortavelmente nele? É obvio que Não!

Podemos pensar sim, que, enquanto se lançava ao árduo trabalho juntamente com seus filhos, ele, como qualquer um de nós, continuava lutando pela sobrevivência. Quero dizer com isso que eles também trabalhavam, plantavam, criavam animais, faziam vestimentas para si etc. As mulheres obviamente também ajudavam na construção da Arca, além dos seus afazeres domésticos.

Veja que isto era uma característica dos dias de Noé, como também dos nossos dias. As pessoas comiam, bebiam, casavam, e davam-se em casamento, demonstrando assim uma rotina comum a todos os viventes. Nada havia de errado nisso. Os motivos que levaram Deus a destruir a humanidade daquela época, eram bem mais graves. Isto mostra apenas o total descaso do mundo com a mensagem que Noé pregava. Eles não estavam nem aí para o que estava por vir. 

Estamos nós como Noé, focados no nosso destino eterno, ou estamos buscando conforto e prosperidade neste mundo que está destinado a destruição?

V – PELA QUAL (ARCA) CONDENOU O MUNDO

A maneira pela qual Noé condenou o mundo, foi a própria construção da Arca. Ela era um testemunho vivo daquilo que ele esperava. Qualquer pessoa que passasse perto da sua casa veria aquela gigantesca nave de madeira sendo diligentemente construída e não deixaria de perguntar do que se tratava aquilo. Aquela Arca era um verdadeiro testemunho para o mundo. A prova clara da sua incredulidade e consequente condenação.

Outra maneira de condenar o mundo foi a forma como Noé conviveu com ele. Alguns tentam nos convencer de que, cada época apresenta mudanças e costumes com os quais devemos nos conformar e viver. Que é correto servir a Deus em conformidade com a GERAÇÃO em que estamos vivendo. Em outras palavras: devemos “adaptar-nos” aos costumes mundanos e servir a Deus conforme os ditames da nossa época. Puro engano. O que nos é ensinado nas Escrituras é que “não devemos nos conformar com este mundo”. Apenas a atitude de Noé, que se destacou como justo, vivendo no meio de uma geração corrupta, era suficiente para condená-lo. Sua atitude foi acatar a revelação de Deus e andar na contramão dos costumes do mundo da sua época, reprovando assim, a maneira de viver dos seus contemporâneos.

A prova de que Noé e sua família não eram daquele mundo e que nada tinham a ver com ele, é o desprezo que os seus contemporâneos tinham por eles. Tanto é, que Noé e sua família passaram 7 (sete) dias trancados na arca, mesmo sem ver cair nenhuma gota de água da chuva, e ninguém percebeu que aquela obra já tinha terminado nem se preocupou em saber onde eles estavam. Só perceberam isso quando a chuva começou a cair sobre eles. Mas aí já era tarde de mais. O destino do mundo estava selado.

VI – FOI FEITO HERDEIRO DA JUSTIÇA

Quem tem coragem de chamar-se a si mesmo de justo? Embora saibamos que esta é a principal diferença entre um crente e um descrente, você não diria de jeito nenhum: eu sou justo. E também, mas por outro motivo, você não diria: eu sou ímpio. E por que não? Por que ímpio não queremos e não devemos ser. E ser justo é uma condição que não podemos alcançar por nossos próprios méritos. A justiça é uma coisa que nos é imputada por Deus. Como assim? É Deus que nos declara justos, que nos atribui, nos concede, que assim sejamos chamados. Lembre-se que a Bíblia diz que Deus imputou justiça a Abraão. Isto é, Deus declarou que ele era justo apenas pelo fato de ele ter acreditado em Deus e nas suas promessas. Ele não fez nada para ser justo, ele apenas creu em Deus.

Assim fez Noé. Ele foi feito HERDEIRO da justiça segundo a fé. Recebeu como herança a recompensa (da salvação) pela justiça que ele praticou. Por que Deus lhe deu capacidade para isso, no momento em que ele creu Nele. A verdadeira justiça dá a cada um aquilo que lhe pertence. Ele deu a Deus a credibilidade que Ele merece. A justiça é também, no sentido mais simples da palavra, a prática do bem. Praticar o bem é praticar a justiça e ser considerado justo por Deus.

Se crermos em Deus e na sua Palavra, também poderemos viver justamente neste mundo. Temos capacidade de praticar o bem, por que Deus nos capacita para isso. E no final seremos recompensados por acreditar que, sem ele, nada podemos fazer. O que tem valor aqui, primeiramente, é a fé e nada mais. A nossa fé em Deus determinará as nossas ações neste mundo de trevas. O nosso testemunho é o que faz a diferença entre o que serve a Deus e o que não O serve.

VII- SEGUNDO A FÉ

É impressionante quando constatamos num momento como este, que a fé vai muito além daquele conceito simplista que costumamos ter. Se meditarmos no fato de que no tempo de Noé não havia a Lei de Deus escrita como nos dias de Moisés, que não havia o Evangelho de Cristo escrito e à disposição como nos nossos dias, que não havia Escritura nenhuma para ele consultar a vontade de Deus, que não havia padre, nem pastor, nem sacerdote para lhe orientar, nem coisa alguma, senão a sua própria consciência, como é que ele andava com Deus e fazia a Sua vontade perfeitamente?

 Veja que, quando lemos na Bíblia que tudo o que ele fez foi pela fé, significa dizer que ele apenas acreditava nas coisas que Deus lhe dizia, sem ao menos ter como averiguar, se aquilo que ele estava vendo e ouvindo era verdadeiro ou não. A única coisa que ele podia fazer era consultar seu próprio coração e sua consciência. E é correto pensar assim, pois segundo as Escrituras a lei de Deus está escrita no nosso coração. E a nossa consciência é perfeitamente capaz de entender qual seja a vontade de Deus em praticamente todas as áreas da nossa vida.

Mesmo sem ver, pois se tivesse visto não seria fé, ele creu em Deus e nas instruções que recebeu dele, seja por sonho, revelação ou simplesmente uma forte impressão no seu coração e isso é realmente impressionante.

E é dessa forma que devemos agir hoje. Pela fé. Não olhando as circunstâncias em que as coisas estão. Já vimos que estamos em melhores condições do que Noé. Temos a Bíblia, a Palavra de Deus para iluminar o nosso caminho. Temos o exemplo dos grandes heróis da fé, entre eles, Noé, grande homem de Deus. Exemplo extraordinário de fé e liderança familiar. Que com grande firmeza e determinação, livrou a si mesmo e a sua família do grande flagelo de Deus, que nos seus dias fez perecer toda a humanidade pelas águas do dilúvio.

Deus nos conceda a mesma fé e a mesma coragem para liderar, nem que seja apenas a nossa família, para salvá-la da destruição que há de vir sobre este mundo.